Oh, look at the time…. The big hand says Fuck, and the little hand says Off… Good thing there's not a second hand. I'm goin' in.

I don’t want to wake up on my own anymore…

Dias. Semanas. Meses. Anos. Não sei ao certo por quanto tempo fiquei acordado. Noites em claro, dias olhando para o teto. Poucas horas de sono na semana. Acordando de cinco em cinco minutos, despertando do sono com problemas ou preocupações – nem sempre os mesmos – que tomam conta de minha cabeça e me impedem de fazer qualquer coisa, útil ou não…

Tentar buscar  na memória uma boa noite de sono é algo inútil, não consigo me lembrar de nenhuma, a imagem que me vem a cabeça é a de um Eu criança chamando por minha mãe para perguntar qualquer bobeira, mesmo que já soubesse a resposta, ou pedindo que me trouxesse um copo de leite. Fazia isso sabendo que escutaria reclamações por acordá-la ou algo do tipo, mas tudo era válido para não ficar sozinho nesse período em que supostamente deveria estar inconsciente.

Dias e noites passaram e tudo piorou, comecei a enxergar cada vez mais problemas em tudo. Aprendi a sonhar e percebi que pesadelos também surgem quando estamos acordados. E cada vez menos eu dormia, não necessariamente em quantidade, mas cada vez menos qualidade. Me tornei um zumbi, um ser desprovido de saúde ou sanidade mental. Uma criatura incapaz de fazer os movimentos necessários para se integrar em um meio social qualquer. Mais e mais me afastava de todos, aprendi a estar sozinho contrariando minha vontade própria. Me conformei que estaria sozinho mesmo que estivesse cercado por milhares de pessoas. Senti que no fim das contas eu estava sozinho dentro de minha própria casa. Notei que família não se escolhe, se lamenta. Percebi, mais tarde, que por pior que possam ter sido, o que sou hoje é resultado de toda neurose, cobrança e pressão que foram despejadas sobre mim desde sempre, no fim o resultado não foi tão ruim assim, então não preciso perder tempo lamentando.

Sozinho nas noites em claro criei histórias. Minha própria história inclusive. Fantasiei situações que não existiram, embelezei banalidades, tornei patéticos grandes feitos alheios. Criei centenas de personagens que me representavam. Em meio à minhas desventuras o tempo se perdia, as noites não pareciam tão longas. Lembranças do dia que acabou eram deturpadas e manipuladas para que se tornassem parte de mais uma história. Milhares de livros poderiam ter sido publicados se houvesse alguma forma de registro de meus delírios noturnos.

Mais uma noite sem dormir… A diferença é que nessa crise de insônia em que escrevo essas palavras sem sentido – e muito provavelmente em todas as próximas – tenho a lembrança recente de uma noite que foi não apenas boa, mas perfeita. Pela primeira vez na vida me lembro de me sentir bem e de conseguir descansar enquanto dormia. Não acordei a cada instante sem saber onde estava. Não virei incontáveis vezes na cama. Não precisei imaginar nenhuma história, apenas consegui sentir o que estava acontecendo no momento. Pela primeira vez em muito tempo eu não estava sozinho.

Um corpo pequeno e perfeito se encaixava com precisão ao meu, era como se fizesse parte de mim. A confiança presente nesse ato nunca antes existiu, foi algo completamente diferente de tudo por mim experimentado ou vivido. A música ao fundo desaparecia, be on my side, I’ll be on your side, e a luz fraca da tela do computador onde agora escrevo iluminava o quarto. Nada atrapalhava, nada incomodava. Os problemas desapareceram enquanto sentia o toque daquelas delicadas mãos em minhas costas. Os lábios macios e finos me faziam perder qualquer resquício de racionalidade que me restava, existia apenas o sentir. Chegou em um ponto em que  foi depositada confiança em mim, e não foi pouca. Em meio aos calmos beijos e carinhos que trocávamos consegui perceber um sorriso, isso sem falar da intimidade que não é possível de ser medida. Tudo que sentimos contrariava a realidade e dava a entender que estávamos juntos há séculos e não apenas alguns poucos meses. No fim das contas esse sentimento deve ter sido apenas a evidência que faltava de que fomos feitos um para o outro.

Enquanto olhava em seus olhos e acariciava de leve todo seu corpo o vento gelado que entrava pela janela aberta pouco atrás de nós não incomodava nenhum pouco. A música que havia há pouco sumido voltava aos poucos e vagamente pude reconhecer o trecho “celebrate we will, because life is short but sweet for certain“… Sorri com a ironia da coincidência, a letra fazia mais sentido do que nunca.  Mesmo com a janela agora fechada, nossos corpos abraçados aos poucos esfriavam e sentiam o ar que entrava pelas frestas. Algum tempo passou com a gente daquele jeito, até que, abraçados, dormimos. Horas passaram, a única hora em que acordei durante esse tempo foi quando – não lembro as palavras exatas – ela disse estar com sede, ia levantando mas fui impedido. Com o braço sendo apertado não pude sair e me senti feliz, não queria sair dali nem mesmo por um segundo. Voltei a abraçá-la e sem que eu percebesse o sono veio.

Pela primeira vez em toda uma vida não precisei imaginar uma história já que estava vivendo a mais perfeita jamais contada. Nunca me senti assim com alguém e não é com presunção que afirmo ter a certeza de que ela nunca se sentiu de tal forma. Foi a melhor noite não só de minha vida, mas de nossas vidas. Se é que existe tal coisa, vivenciamos a forma mais pura e intensa do amor.

Toda história, inclusive histórias sem fim como espero que esta seja, precisa acabar em algum momento. Chega a hora de acordar, de retomar os costumes e a rotina. Inesquecível foi essa noite, assim como perfeita em todos os sentidos da palavra. Já havia me acostumado ao inferno de dormir mal e acordar sozinho, agora que fui tirado desse maldito lugar só posso esperar que ela volte para cá o mais rápido possível. Não quero acordar sem ninguém ao meu lado novamente… Agora não precisarei mudar os eventos, não há necessidade de fantasiar e não existe maneira de tornar mais bonito o que de fato aconteceu. Me lembrarei dessa noite até que ela se repita… e que se repita eternamente.

You & Me together...

3 Responses

  1. kely medeiros

    Como entendo perfeitamente esse sentir! Encantador!

    May 5, 2010 at 18:36

  2. L-I-N-D-O. Preciso dizer mais alguma coisa? morri

    May 5, 2010 at 21:55

  3. Carolina Lambert

    Meu amor este na verdae é o melhor de todos, e nunca vou me esquecer disso, te amo muito bjs

    December 16, 2010 at 21:01

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