#2
Recentemente acabei um relacionamento. Depois de pouco mais de um ano dei fim ao que nem deveria ter começado. Tivemos bons momentos sim, mas isso não compensa todo o resto. Pouco tempo depois acabei conhecendo um garoto, conhecido de uma amiga.
Parecia ser alguém inteligente, mas meio amargo. Igual a mim, também havia terminado um namoro há pouco tempo. Enxergava a tristeza escondida por trás de seus sorrisos. Era facílimo perceber a melancolia por trás daqueles olhos cansados que um dia foram castanhos e agora perderam a cor. Sua carência estava estampada em sua cara, não para todos acredito. Mas para mim estava.
Nos encontramos algumas vezes depois desse dia, fomos até minha casa numa sexta-feira, dia em que os amigos de minha mãe costumam aparecer para beber e jogar conversa fora. Ninguém estranhou ou achou ruim o fato de eu levar um desconhecido para dentro de casa. Não desgrudávamos o olho um do outro. Nos sentamos próximos, um de frente para o outro. Ele parecia tímido no meio de outras pessoas desconhecidas, um pouco sem graça. Desconfortável. Mas nossos olhares estavam o tempo todo se encontrando. Me lembro de que, ao perceber que eu o estava olhando, sempre me dava um sorriso com o canto da boca. Era tão gostoso perceber esses gestos tão sutis dele ao me olhar. Quase tão gostoso quanto quando eu percebia que estava sendo observada e não conseguia segurar e acabava abrindo um sorriso.
Passamos mais alguns dias juntos. Nos tornamos em cerca de duas semanas os melhores amigos um para o outro.
Pareciamos nos conhecer a vida toda. Ele sabia mais sobre mim que meus amigos de infância, mais até do que minha própria família.
Cada dia mais crescia o carinho que sentia por ele. Só aumentava tudo. Acreditei que mesmo nós dois aparentemente estarmos receosos para tomar alguma iniciativa em algum ponto ficaríamos juntos. Estávamos sentados em um banco numa pracinha perto da minha casa quando o telefone dele tocou. Uma mensagem de texto. Leu com uma expressão séria. Digitou algo e guardou o celular. Me disse que precisava ir. Mais tarde conversamos direito, disse. Horas depois nos falamos por alguns minutos pelo telefone. Parece que a ex resolveu dar as caras novamente e o idiota a aceitou de volta depois de tudo. Disse que a amava demais, foi longe pelo relacionamento deles e ainda estava disposto a se esforçar pois acreditava que as coisas dariam certo. No momento em que o telefone tocou eu soube que algo assim estava prestes a acontecer, talvez o tal instinto feminino não seja uma lenda, a gente sente quando algo está errado.
Um mês passou. Mais outro. Continuávamos nos vendo normalmente mas sem que nada acontecesse. Conversávamos e cada um ia para seu canto.
Em uma de nossas conversas fiquei sabendo o que já imaginava… seu namoro não estava nada bom. Voltar com a tal garota havia sido um erro de sua parte. Ele me contou dos diversos problemas. Horas reclamando de tudo que o incomodava. Uma de nossas conversas se passou na casa dele. Nós dois deitados na metade cama com as pernas para fora, lado a lado, olhando para cima, os pés tocando o chão. Um olhando para o outro enquanto a música tocava incansávelmente. Nossas bocas se tocaram de leve… nos beijamos, finalmente. Os pés não estavam mais no chão, naquele momento flutuávamos. Voamos sem direção. Não parecia
real. Seu toque pesado mas de certa forma delicado em meu braço me acalmava. O carinho em meu cabelo me fazia querer cada vez mais aquele beijo. O tempo voou mais do que nós mesmos. Hora de ir embora. Ele, como sempre, me levou até em casa. Morávamos longe um do outro, tinhamos que andar um tempinho até o ponto de ônibus e depois de descer do ônibus mais um pouco até minha casa. Enquanto andávamos pela rua rumo ao ponto segurei sua mão. Ele soltou e pediu desculpas. Disse que não conseguia. Disfarcei minha tristeza com um sorriso, como sempre faço.
Dentro do ônibus ele me abraçava e segurava minha mão. Ninguém estava nos vendo. Quando descemos aparentávamos ser apenas conhecidos, nada mais que isso. Ele não podia me assumir, não era nada meu. Ainda tinha outra pessoa em sua vida e saber isso doía muito e me dava vontade de chorar. Eu tinha a certeza de que podia fazer tanto por ele, tanta coisa a mais do que a maldita namorada que não dava valor na pessoa que tinha ao lado. Nos despedimos no portão de minha casa, minha mãe estava no perto da entrada quando nos beijamos mais uma vez, dessa vez para dizer tchau. Paramos de nos ver. Nem mesmo para conversar saimos mais. Só desejo que ele seja feliz mesmo que não ao meu lado e prometo que se algum dia eu perceber que ele está sofrendo, não importa quais serão as consequências, vou roubá-lo para mim.




ameeeeei *-*
December 20, 2010 at 01:51
^ não leve em conta o que ela diz, conversa de gente cachorro na corrente
December 20, 2010 at 02:08
Cachorros também amam. ~♥
December 20, 2010 at 02:10
Eu sei, cachorro cheira cachorro, lembra melben?
December 20, 2010 at 02:12